27 janeiro 2025

CHUVA

 


Vejo a chuva que cai lá fora
Com alegria sem par
É a melhor coisa que agora
A natureza nos pode dar!

Observo a água a cair
Fico à janela parado
Indolente, mas sem dormir
Sonhando mesmo acordado!

Dou por mim a pensar
Que a chuva não vai parar
Mas sem grande preocupação

Porque o que se vai molhando
É a natureza cuidando
De toda a sua criação!

José Joaquim

04 janeiro 2025

A TRADIÇÃO DAS CHAROLAS


A tradição não se importa
Não se inventa, não se troca
Nem outras coisas tais!
Para a tradição manter
É simplesmente fazer
Como fizeram nossos pais!

No primeiro dia do ano fomos ouvir as charolas, uma tradição que cada vez mais, se vai acomodando  aos palcos dos salões das coletividades e dos teatros municipais, abandonando aos poucos a verdadeira tradição e razão de ser da charola que era o de ir de casa em casa, mostrando o "Menino Jesus", cantando em seu  louvor, saudando com votos de festas felizes e desejando um bom e prospero Ano Novo.

Naturalmente que os tempos são outros e as tradições se vão moldando ás novas exigências, quer de conforto quer de espetáculo.

Conforto, para os charoleiros e para o publico que prefere o aconchego dos salões e dos teatros.

Espetáculo, também igualmente para os charoleiros que agora tocam e cantam num palco, com apoio de luzes, microfones e para o publico que também vê e ouve melhor.

O que nos preocupa no que toca à sobrevivência da verdadeira charola não é tanto o que atrás referi, mas sim o fato de aos poucos, ir mudando o seu verdadeiro significado e transformado num simples espetáculo musical.

Hoje, os charoleiros ignorando esses valores, optam pelo espetáculo, priorizando as chacotas, as brincadeiras, as brejeirices que obtêm mais palmas e sorrisos da assistência, em desfavor dos cantos ao Menino que são desapreciados. 

As denominadas valsas das vivas, monopolizam quase toda a atenção, onde as saudações e vivas deram lugar ás brejeirices e brincadeiras que teriam lugar em qualquer revista teatral.

Enquanto aos cantos foram dedicados 3 ou 4 minutos, as "vivas" decorreram durante exagerados 15 a 20 minutos, a maioria nada tendo a ver com vivas (saudações), próprias da época natalícia, reis e ano novo.

Atualmente as charolas não cantam para o povo, cantam para o publico.

Inconscientemente vai-se incutindo a ideia errada, de que isto é a charola, ignorando que a charola é aquela pequena caixa onde simbolicamente se transporta a imagem do Menino Jesus que evoca o seu nascimento e que percorre toda a assistência, pedindo a esmola.

Auto denominar-se por charola, sem a presença da caixa do Menino Jesus, nem dos cantos em Seu Louvor, não faz sentido. 

A maioria das charolas não fazem (ou tiram) vivas, tocam simplesmente a valsa, ente o canto velho e o canto novo. 

Apenas as charolas dos concelhos de Faro, Loulé e São Brás de Alportel, "tiram" (fazem) vivas, interrompendo constantemente a valsa para as fazer.

Também na tradição original, na Conceição de Faro, não se tiravam vivas. Aqui, as vivas começaram com a charola da Casa do Povo.

Em 2025, no concelho de Faro, apenas a Charola da Casa do Povo de Conceição de Faro, cumpre a tradição dos cantos ao "Menino" e transporta a "Caixa do Menino" (charola).

Este breve texto apenas constata uma situação, não inclui qualquer critica aos grupos ou charolas que naturalmente fazem o seu melhor, para melhorar o espetáculo e agradar ao publico.

Se agradar ao publico é importante, tão ou mais importante será manter uma tradição secular como é o caso das charolas que cantam ao "Menino".

Cabe ás novas gerações assumir e dar seguimento, ao que herdaram dos seus pais e avós, no que diz respeito aos seus costumes, para que não se perca definitivamente a verdadeira charola.


 

26 agosto 2024

MÁGOA








Não me magoa quem quer
Isso nunca aconteceu
Só me magoa se eu quiser
Porque o magoado sou eu!


Se alguma mágoa tinha
Vou já acabar com isso
Porque essa mágoa é minha
Não tem qualquer compromisso!

Quem tiver mágoa assim
E se sinta magoado também
Pode contar para mim
Que eu não digo a ninguém!

Mágoas não se podem guardar
E devem ser esquecidas
Elas custam mais a passar
E mantêm velhas feridas!

Mágoas são como poemas
Vivem na imaginação
São invisíveis algemas
Que nos prendem o coração!

Vamos esquecer depressa
Não nos estão fazendo bem
Só assim a paz regressa
E a alegria também!

Jose Joaquim


17 julho 2024

APRENDIZ DE POETA


 



De poeta sou aprendiz
Sempre fico muito feliz
Se faço um versozinho
Tenho mesmo que estudar
Porque gosto de tratar
As palavras com carinho!

Isto é verdade não minto
Digo o que vejo ou sinto
Apenas num simples verso!
É grande a desilusão
Se me falta imaginação
Ou na inspiração tropeço!

Aqui não quero esconder
Que não tenho esse poder
De ser poeta formado
Só escrevo versos assim
Porque estão dentro de mim
Não posso ficar calado!

Com a minha inspiração
Procuro na imaginação
Algo para ser contado
Surgem mágoas e penas
Algumas alegrias apenas
E dores por todo o lado!

É a mais pura verdade
E nesta realidade
Sou assim de pequenino
Até a vida acabar
E a morte por fim chegar
Vou seguindo meu destino!

É sempre com muita paixão
Que bate o meu coração
Vivendo o dia a dia
Na espera de alcançar
Poeta alguém me chamar
Para minha grande alegria!

JJ

01 maio 2024

VIVA A FESTA DA PINHA

 

Imodéstia

 

Com alguma imaginação
E muita falta de jeito
Sigo ingénua ilusão
Fazer um verso perfeito!

Pode ser imodéstia
Até parecer uma crença
Versos, mais duma réstia
Trouxe comigo à nascença!

Mas seja lá como for
Sempre hei de acreditar
Que quem lhes dá valor
Terá valor para dar!

Não me posso alongar
Sequer exceder demais
Apenas quero participar
Nestes Jogos Florais!

Um ultimo verso faço
Para alegria minha
Grito erguendo meu braço
Viva a Festa da Pinha!