13 janeiro 2021

ABRAÇO


Estes são tempos esquisitos
E nós estamos tão aflitos 
Com o que se está a passar
Vivemos em casa confinados
Da família e amigos separados
E não nos poderemos juntar!

Toque com pé, mão ou braço
Tudo representa o abraço
Que gostaríamos de ter dado
Tudo por culpa da Pandemia
Que nos tirou a alegria
Dum Abraço bem apertado!

Não sei se falta muito tempo
Mas há de chegar o momento
Que tudo volta ser reposto
E a partir desse momento sim
Família juntem-se a mim
Para um abraço com gosto!


01 janeiro 2021

CHAROLAS 2021


Passados mais de cem anos, as Charolas voltam por Lei, a ser impedidas de sair à rua. 

Em 1910 foram proibidas todas as manifestações religiosas fora das igrejas e as Charolas não puderam sair por assim serem popularmente consideradas .

Agora foram proibidas todas as festas e ajuntamentos populares naturalmente que as Charolas voltam a não poder sair.

Não pondo em causa a justeza da decisão agora tomada, uma vez que é para nossa própria proteção, resta-nos recordar esta velhinha tradição como podemos.

Como charoleiro, deixo na forma rimada, alguns votos e desejos para 2021.

Hoje não cantam as Charolas
Calam-se pandeiros, castanholas
Perdemos nossa alegria
Não porque nós queremos
Mas só porque vivemos
Nesta maldita Pandemia!

Não temos para onde ir
Também não se pode sair
Muitos pensamentos me ocorrem
No meio de tanta tristeza
Há também uma certeza
As Charolas não morrem!

E se a Pandemia parar
Pro ano queremos voltar
Com a devoção de todos nós
Cantando para gente amiga
Esta tradição muito antiga
Do tempo dos nossos avós!

Assim Deus o permita
Com Sua bondade infinita
Acabe de vez com este temor
Que logo nós voltaremos
À tradição que mantemos
Cantando em seu louvor!

Aos Charoleiros peço paciência
Confiem no futuro e na ciência
Que a Pandemia vai acabar
E fica aqui prometido
Com tudo isto já resolvido
Pro ano sairemos a cantar!

E antes de terminar
Gostava aqui de deixar
Este voto bem charoleiro
Que dois mil vinte um traga a todos
Saúde, sorte, dinheiro a "rodos"
E a cura no mundo inteiro!

E agora sim eu termino
Com mais um voto que destino
A família e amigos em geral
Que não lhes falte a saúde
E que Deus sempre os ajude
A livrarem-se de todo o mal!



08 agosto 2020

ÁS VEZES CHORO



Eu levo a vida fingido
Com mais ou menos decoro
Se por fora estou sorrindo
Por dentro ás vezes choro!


Finjo até haver dor
Mesmo quando ela não há
Finjo com tanto ardor
Por vezes até dor me dá!


Também finjo no amor
Quando amor não sinto
Finjo sem qualquer pudor
Até no amor minto!


É tanto o fingimento
Que já nem sei o que fazer
Agora o que mais lamento
É que finjo até sem querer!


Para aumentar o tormento
Vejam o que agora descobri
Fingindo que é fingimento
Até  no fingir eu fingi!



17 junho 2020

BURRO CIGANO



De histórias sou contador
E conto seja o que for
Em prosas simples ou rimadas
Semelhanças com a realidade
Elas podem ter na verdade
Mas todas são inventadas! 


Nesta história de inventar
Eu digo o que vem a calhar
Sem muita ou pouca ciência
Se com a verdade parecer
Então eu só poderei dizer
Que é impura coincidência!


Hoje, sem nada para contar
Fico aqui a imaginar
Como tudo seria diferente
Se todos nos entendêssemos
E em paz assim vivêssemos
Animais, natureza e gente!


Para dizer a verdade
Ás vezes sinto saudade
Dos tempos da minha infância
Não é que queira lá voltar
Mas gosto de recordar
Aquela santa ignorância!


Vivia na inocência
Sem arte ou qualquer ciência
Era assim o dia a dia
Enquanto o tempo passava
Comia, bebia, brincava
Sempre com muita alegria!


Mas a infância passou
E finalmente chegou
A idade tão desejada
Num adulto me transformei
Trabalhei, fui à guerra e casei
E a vida ficou complicada!


Tal como um burro cigano
Sempre apanha do seu dono
Mesmo que isso não mereça
Também tenho a minha sina
Tudo o que Deus me destina
Apanho  na minha cabeça!


Não é para protestar
Nem sequer assim deixar
Queixas ou rebeldia
Só quero estar em paz
Com o que ficou para trás
E viver o dia a dia!

14 maio 2020

NUM SIMPLES VERSO


Fazer poesia é confessar-se
Pura verdade confesso
É despir-se, desnudar-se
Apenas num simples verso!

Com alguma imaginação
E num simples verso apenas
Contamos na perfeição
Segredos, mágoas e penas!

Poetas e rimadores
Com o seu modo e geito
São apenas fingidores
Fingindo quase perfeito!

Perdoem-me se exagerei
Quando a verdade se requer
Em minha defesa direi
Que nem sou poeta sequer!

Sou um simples rimador
Que em poeta se disfarça
Falo ás vezes com ardor
Embora sem muita graça!

Para que tudo acabe bem
E não fique mágoa nem dor
Desculpas peço também
A  todo o que poeta for!