02 março 2026

MEU NOME

 


Que sou o José Joaquim
Todos sabem que assim é
Se quiseres chamar por mim
Podes-me chamar só por Zé!

Mais um pequeno atalho
Para ver se me distingues
Na tropa e no trabalho
Todos me chamavam Rodrigues!

Apenas para completar
Meu nome nos envelopes
À minha mãe fui buscar
O belo nome de Lopes!

Minha alcunha é bem antiga
Como é uso em Estoi
Alguns me chamam "Barriga"
Tal como meu pai assim foi!

Mas talvez por simpatia
Mais uma alcunha eu tinha
Amigos no dia a dia
Tratavam-me por "Barriguinha"!

E houve outras mais
Algumas bem infelizes
Como o "Zé dos Pardais"
Ou o "Chico das Perdizes"!

Por ser de longa distancia
Deixei a primeira para o fim
Porque lá na minha infância
Só me chamavam "Quim-Quim"!

Por todas eu respondia
Sem qualquer melindre ou favor
Decerto eu saberia
Não era por mal, era amor!

Como não quero cansar
Quem minha prosa espreita
Apresso-me a terminar
Esta rima imperfeita!


07 janeiro 2026

CHAROLAS UMA TRADIÇÃO

 




É bonito ouvir as charolas !!!


É bonito ouvir as charolas
Por todo o lado a cantar
Pandeiros e castanholas
E acordeões a tocar!

E os cantos tradicionais
Que cantam com emoção
Acreditando que jamais
Vai morrer a tradição!

As vivas fazem aos pares
Ditas por tudo e por nada
E se não rimou não repares
É preciso é ser engraçada!

O Menino na caixinha
Não faz mal a ninguém
Vai pedindo uma moedinha
Aceita notinhas também!

Quem não puder contribuir
Pode ficar descansado
Ele só anda a pedir
A dar, ninguém é obrigado!

Hoje pouco são convidados
Para numa casa entrar
É nos palcos apresentados
Que os querem ouvir cantar!

Agora são controlados
Tal como se fossem joguetes
Já não cantam embriagados
E nem lançam mais foguetes!

São as coisas a mudar
Embora pareça que não
Aos poucos está a chegar
Uma nova tradição!

E quer se queira ou não
Nada o fará parar
Vai mudando a traição
É o futuro a chegar!

Olhar para trás é proibido
Esqueçam essa tradição
Já não faz muito sentido!

Mas continuam a cantar
Recordando pais e avós
É um sentimento sem par
Que corre dentro de nós!

Na minha opinião
Acreditem podem crer 
É assim a tradição
E sempre assim há-de ser!

A tradição quando pura
Nunca deverá acabar
É uma imensa cultura
Um conhecimento sem par!


27 janeiro 2025

CHUVA

 


Vejo a chuva que cai lá fora
Com alegria sem par
É a melhor coisa que agora
A natureza nos pode dar!

Observo a água a cair
Fico à janela parado
Indolente, mas sem dormir
Sonhando mesmo acordado!

Dou por mim a pensar
Que a chuva não vai parar
Mas sem grande preocupação

Porque o que se vai molhando
É a natureza cuidando
De toda a sua criação!

José Joaquim

04 janeiro 2025

A TRADIÇÃO DAS CHAROLAS


A tradição não se importa
Não se inventa, não se troca
Nem outras coisas tais!
Para a tradição manter
É simplesmente fazer
Como fizeram nossos pais!

No primeiro dia do ano fomos ouvir as charolas, uma tradição que cada vez mais, se vai acomodando  aos palcos dos salões das coletividades e dos teatros municipais, abandonando aos poucos a verdadeira tradição e razão de ser da charola que era o de ir de casa em casa, mostrando o "Menino Jesus", cantando em seu  louvor, saudando com votos de festas felizes e desejando um bom e prospero Ano Novo.

Naturalmente que os tempos são outros e as tradições se vão moldando ás novas exigências, quer de conforto quer de espetáculo.

Conforto, para os charoleiros e para o publico que prefere o aconchego dos salões e dos teatros.

Espetáculo, também igualmente para os charoleiros que agora tocam e cantam num palco, com apoio de luzes, microfones e para o publico que também vê e ouve melhor.

O que nos preocupa no que toca à sobrevivência da verdadeira charola não é tanto o que atrás referi, mas sim o fato de aos poucos, ir mudando o seu verdadeiro significado e transformado num simples espetáculo musical.

Hoje, os charoleiros ignorando esses valores, optam pelo espetáculo, priorizando as chacotas, as brincadeiras, as brejeirices que obtêm mais palmas e sorrisos da assistência, em desfavor dos cantos ao Menino que são desapreciados. 

As denominadas valsas das vivas, monopolizam quase toda a atenção, onde as saudações e vivas deram lugar ás brejeirices e brincadeiras que teriam lugar em qualquer revista teatral.

Enquanto aos cantos foram dedicados 3 ou 4 minutos, as "vivas" decorreram durante exagerados 15 a 20 minutos, a maioria nada tendo a ver com vivas (saudações), próprias da época natalícia, reis e ano novo.

Atualmente as charolas não cantam para o povo, cantam para o publico.

Inconscientemente vai-se incutindo a ideia errada, de que isto é a charola, ignorando que a charola é aquela pequena caixa onde simbolicamente se transporta a imagem do Menino Jesus que evoca o seu nascimento e que percorre toda a assistência, pedindo a esmola.

Auto denominar-se por charola, sem a presença da caixa do Menino Jesus, nem dos cantos em Seu Louvor, não faz sentido. 

A maioria das charolas não fazem (ou tiram) vivas, tocam simplesmente a valsa, ente o canto velho e o canto novo. 

Apenas as charolas dos concelhos de Faro, Loulé e São Brás de Alportel, "tiram" (fazem) vivas, interrompendo constantemente a valsa para as fazer.

Também na tradição original, na Conceição de Faro, não se tiravam vivas. Aqui, as vivas começaram com a charola da Casa do Povo.

Em 2025, no concelho de Faro, apenas a Charola da Casa do Povo de Conceição de Faro, cumpre a tradição dos cantos ao "Menino" e transporta a "Caixa do Menino" (charola).

Este breve texto apenas constata uma situação, não inclui qualquer critica aos grupos ou charolas que naturalmente fazem o seu melhor, para melhorar o espetáculo e agradar ao publico.

Se agradar ao publico é importante, tão ou mais importante será manter uma tradição secular como é o caso das charolas que cantam ao "Menino".

Cabe ás novas gerações assumir e dar seguimento, ao que herdaram dos seus pais e avós, no que diz respeito aos seus costumes, para que não se perca definitivamente a verdadeira charola.


 

26 agosto 2024

MÁGOA








Não me magoa quem quer
Isso nunca aconteceu
Só me magoa se eu quiser
Porque o magoado sou eu!


Se alguma mágoa tinha
Vou já acabar com isso
Porque essa mágoa é minha
Não tem qualquer compromisso!

Quem tiver mágoa assim
E se sinta magoado também
Pode contar para mim
Que eu não digo a ninguém!

Mágoas não se podem guardar
E devem ser esquecidas
Elas custam mais a passar
E mantêm velhas feridas!

Mágoas são como poemas
Vivem na imaginação
São invisíveis algemas
Que nos prendem o coração!

Vamos esquecer depressa
Não nos estão fazendo bem
Só assim a paz regressa
E a alegria também!

Jose Joaquim