13 agosto 2015

POETA ACANHADO


Sou como um poeta acanhado
Que vive todo dobrado
Ao peso da timidez
Sentindo a sua culpa
Quase que pede desculpa
Por todos os versos que fez!


Para mim a timidez
Vem da minha pequenez
Perante o universo
É a pura realidade
Do que serei na verdade
Neste mundo tão diverso!


Ser tímido é um defeito
Que trago no meu geito
De viver as situações
Sou tímido por natureza
E vivo na incerteza
Das minhas emoções!


10 agosto 2015

O CANÁRIO DO VALERIO


Ao meu amigo Valério Pires que na festa dos seus oitenta anos me disse que o que mais lamentava era já ouvir cantar seu canário ...


O Valério fez oitenta
E já é octogenário
Agora o que ele lamenta
É não ouvir cantar seu canário!

Seu canário já não canta
Perdeu de vez o pio
Agora ele não se levanta
Nem quando vai ao "bacio"!

Teu canário está calado
Mas tu continua como és
Agora toma cuidado
Que ele ainda te mija prós pés!

Teu canário morreu
E por mais força que faças
Um dia descobres que encolheu
E que já só te mija prás calças!

A vida é esta meu amigo
E tu sabes bem lá no fundo
Que isto não se passa só contigo
É assim com todo o mundo!

Mas não fiques chateado
Haja lá o que houver
Agora já não és casado
És irmão da tua mulher!

E é esta a realidade
Ao fim de uma vida inteira
Quando acaba a terceira idade
Volta-se de novo à primeira!


11 junho 2015

DE REPENTE


Eu faço um verso diferente
Porque o faço de repente
Como gosto de fazer
Enquanto o  vou pensando
Na memória vou guardando
Para logo a seguir o dizer!

Minha rima improvisada
É como porta de entrada
De uma imaginação sem fim
Assim em qualquer momento
Eu digo em verso de repente
O que vai dentro de mim!

Não sei se isto é poesia
Ou se é pura fantasia
Da minha imaginação
Mas tenho quase a certeza
De que foi a mãe natureza
Que me deu esta missão!